sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Uma boa descrição dos orixás (uma por dia, respeitando os dias em que são preferencialmente cultuados).


Oxalá


Dia da semana
Sexta – feira.


Cores
Branco.


Símbolos
Cajado (opaxorô), pilão (eninodô), caramujo e dente de elefante.


Elemento
Ar.


Plantas
Boldo, saião, inhame e malva.


Animais
Caramujo.


Metal
Estanho e prata.

Comida
Acaçá, inhame, arroz, cuscuz e canjica.

Bebida
Água.

Sincretismo
Menino Jesus (oxaguiã, oxalá jovem - 24.12) e Senhor do Bonfim (oxalufã, oxalá velho segundo domingo depois do dia de reis - Janeiro).

Domínio
Céu.

O que faz
Dá felicidade, progresso, saúde.

Quem é
O grande pai celeste, senhor das almas bem-aventuradas.

Características
Líder, benevolente, generoso, responsável, confuso, ansioso, rígido e hipocondríaco.

Quizília
Cachaça, dendê e bichos escuros.

Saudação
Epa Babá!

Onde recebe oferendas
Montes e igrejas.

Riscos de saúde
Circulação deficiente e problemas dos rins.

Presentes prediletos
Flores e velas brancas, mel, suas comidas e bebidas.

Observação

Oxalá é o orixá dos inhames novos, unido ao orixá da agricultura. Sua festa ligada ao início do ano agrícola é em agosto e setembro e inclui a renovação da água do templo e a lavagem dos objetos de culto.


Lendas:


(1) Olorun criou obatalá, olokum, odudua e orumilá. Depois deu a obatalá (o oxalá original) a tarefa de criar o mundo, entregando-lhe uma sacola com um pó mágico. Mas obatalá, instigado por orumilá, que estava zangado por ele não ter cumprido os rituais antes de partir, bebeu muito vinho de palma e adormeceu. Então, seu irmão e rival odudua roubou a sacola e usou o pó para criar o mundo antes de obatalá acordar. obatalá foi castigado com a proibição de usar produtos do dendezeiro e bebidas alcoólicas; mas, como consolação, recebeu uma argila para modelar os humanos. Mas, como não levou a sério a proibição, continuou bebendo e, nos dias em que se excedia, fazia as pessoas tortas ou mal cozidas. É por isso que os deformados e os albinos são filhos de oxalá.

(2) Oxalufã morava com o filho oxaguiã. Quando resolveu visitar o outro filho, xangô, ifá disse que ele correria perigo na viagem; mandou levar 3 mudas de roupa, sabão e ori (creme de dendê); e recomendou que não brigasse com ninguém. Na viagem, oxalufã encontrou exu elepó, que o abraçou e sujou de dendê; controlando-se para não brigar, ele se lavou, vestiu roupa limpa e despachou a suja com ori. Isso se repetiu com exu eledu, que o sujou de carvão, e com exu aladi, que o sujou com óleo de caroço de dendê. Adiante, encontrou um cavalo que havia dado ao filho xangô; quando o pegou, os criados de xangô chegaram, pensaram que ele estava roubando o animal e o jogaram na prisão, onde ficou por 7 anos. Nesse tempo, o reino sofreu seca, os alimentos acabaram e as mulheres ficaram estéreis. ifá disse que a causa era a prisão de um inocente. Xangô mandou revistar as prisões e reconheceu o pai. Ele mesmo o lavou e vestiu, e então o reino voltou a ser próspero.

(3) Iemanjá, a filha de olokum, foi escolhida por olorum para ser a mãe dos orixás. Como ela era muito bonita, todos a queriam para esposa; então, o pai foi perguntar a orumilá com quem ela deveria casar. orumilá mandou que ele entregasse um cajado de madeira a cada pretendente; depois, eles deveriam passar a noite dormindo sobre uma pedra,segurando o cajado para que ninguém pudesse pegá-lo. Na manhã seguinte, o homem cujo cajado estivesse florido seria o escolhido por orumilá para marido de iemanjá. Os candidatos assim fizeram; no dia seguinte, o cajado de oxalá estava coberto de flores brancas, e assim ele se tornou pai dos orixás.

(4) Certa vez, quando os orixás estavam reunidos, oxalá deu um tapa em exu e o jogou no chão todo machucado; mas no mesmo instante exu se levantou já curado. Então oxalá bateu em sua cabeça e exu ficou anão; mas se sacudiu e voltou ao normal. Depois oxalá sacudiu a cabeça de exu e ela ficou enorme; mas exu esfregou a cabeça com as mãos e ela ficou normal. A luta continuou, até que exu tirou da própria cabeça uma cabacinha; dela saiu uma fumaça branca que tirou as cores de oxalá. Oxalá se esfregou, como exu fizera, mas não voltou ao normal; então, tirou da cabeça o próprio axé e soprou-o sobre exu, que ficou dócil e lhe entregou a cabaça, que oxalá usa para fazer os brancos.

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